Bom, não sou ingênua de achar que NENHUM instituto tenha agido de má-fé. Mas, sinceramente, acreditar que todos tenham feito uma espécie de complô, para mim, é um pouco demais.
Para começar porque um instituto como o IBOPE tem uma reputação a zelar. No caso do IBOPE, não estamos falando de uma empresa que só faz pesquisa de eleições ou audiência na televisão, mas sim de uma empresa que fornece informações de mercado para algumas das maiores empresas que atuam no Brasil (nacionais ou não). É bem provável que você já tenha sido “abordado” (em aspas, porque pode acontecer por telefone...) pelo IBOPE para falar do se banco, da sua empresa de celular, da sua faculdade, etc.
Além disso, essas pesquisas seguem uma metodologia adequada. Ok, claro que dá para criticar (afinal, quando eles calculam a amostra, estão fazendo o cálculo para UMA proporção, só que na verdade estão testando umas 10 – número de candidatos + brancos, nulos e indecisos). Mas, picuinhas metodológicas à parte, quando o Datafolha entrevista mais de 10.000 pessoas em dezenas de municípios brasileiros, está entrevistando uma amostra ESTATISTICAMENTE representativa da população brasileira. Novamente: não que a metodologia seja infalível, mas é sim, representativo.
Então, se o problema não era má-fé nem incompetência, qual a razão de ter surgido um segundo turno?
Talvez a razão esteja no próprio eleitor. Existe uma literatura extensa e bem documentada (na qual eu NÃO sou especialista) nas áreas de psicologia e marketing que indica que existe uma lacuna entre a intenção e o comportamento. Eu mesma decidi meu voto na Marina Silva na sexta feira à noite, quando conversei com uma pessoa muito informada sobre a campanha e os projetos dela...
Só uma elucubração.

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